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Governo e supermercados desestimulam sacola; setor químico as defende

Com apoio do Ministro Carlos Minc, Carrefour promete suspender uso de sacolas plásticas por quatro anos e provoca reação.

Folha Online

A rede de supermercados Carrefour prometeu oficialmente em evento nesta segunda-feira (15) que interromperia em quatro anos o uso de sacolas plásticas, em evento com o ministro do Ambiente Carlos Minc.

No mesmo dia, no entanto, o engenheiro químico Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos - entidade que representa institucionalmente o setor- afirmou que o uso das sacolas plásticas não pode ser proibido.

Segundo ele, "não há alternativas consistentes para substituir as sacolas plásticas, que são reutilizáveis e 100% recicláveis".

Ele afirmou, ainda assim, ser a favor das sacolas retornáveis e das sacolas biodegradáveis, mas que a opção deve ser sempre do consumidor, até porque muitos as utilizam como saco de lixo.

Além disso, defende que o produto seja utilizado de forma consciente e que sejam seguidas as normas técnicas ABNT para sacolas de qualidade, para evitar o desperdício. 

O gestor ambiental Fabiano Alexandre Neto Saraiva, do Instituto GEA (Ética e Meio Ambiente), discorda totalmente da afirmação de Esmeraldo sobre não haver alternativas consistentes. "É claro que há alternativas: ecobags, ou sacolas retornáveis, são a solução", afirma ele. Afinal, elas pode ser reutilizadas sem número definido de vezes.

Saraiva também indica a utilização das caixas de papelão pelos supermercados, prática já adotada por alguns supermercados.

Com isso, seriam reutilizadas as caixas em que os produtos chegam aos supermercados, e além disso o papelão tem um tempo de decomposição na natureza incomparável em relação ao plástico. "É uma diferença de cerca de um ano no caso do papelão para centenas de anos no caso do plástico", compara o gestor ambiental do GEA.

Ele concorda que a sacola plástica é 100% reciclável, mas é preciso lembrar que cerca de apenas 1% do lixo é reciclado hoje no Brasil. "É preciso checar para onde está sendo destinado o material depois", alerta ele.

Quanto ao uso da sacola plástica como saco de lixo, ainda é preciso tomar o devido cuidado, pois muitos acabam utilizando sacolas em exagero e sobra nas residências. 

Durante o anúncio oficial do Carrefour, hoje, Carlos Minc anunciou que desde o início da campanha "Saco é um Saco", em 5 de junho de 2009, Dia Mundial do Meio Ambiente, o brasileiro deixou de utilizar de 600 milhões a 800 milhões de sacolas plásticas. Esse material leva cerca de "400 anos para se degradar", informa o ministério.

O Brasil utiliza cerca de 12 bilhões de sacolas plásticas tradicionais por ano, segundo estimativa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

As alternativas indicadas pelo representante do GEA --sacolas retornáveis e caixas de papelão-- foram assumidas pelo Carrefour em seu anúncio.

Na sexta-feira (12), a rede de supermercados Walmart lançou um programa de caixas preferenciais e descontos simbólicos ao consumidor que utilize sacolas retornáveis.

Será dado R$ 0,03 de desconto por cada sacola plástica não utilizada (valor que corresponde ao custo unitário de cada sacola) ou cinco itens adquiridos (quantidade média de produtos embalados em uma sacola, segundo estudo do Instituto Akatu). Ou seja: numa compra de 200 itens, o cliente ganhará R$ 1,20.

Por enquanto, o projeto é piloto, com apenas três lojas, mas a previsão é de atingir todas as unidades da rede em dois meses. A empresa tem 436 lojas espalhadas por 18 Estados brasileiros e o Distrito Federal.

Esta iniciativa intermediária parece ficar a salvo das críticas do representante da Plastivida, por não "penalizar" o consumidor, e sim dar os descontos e incentivos simplesmente.

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