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A Logística do Poder Público em relação ao crime organizado é nota zero

Em editorial publicado em outubro no portal do Instituto de Pesquisa e Ensino em Logística (IPELOG) Mauro Roberto Schlüter questiona a falta de repressão aos usuários de drogas.

Por Mauro Roberto Schlüter
IPELOG
www.ipelog.com.br

Fico pasmo em ver a falta de capacidade das autoridades públicas de todos os poderes no que diz respeito a erradicação do crime. Fatos recentes como o que ocorreu no Rio de Janeiro na semana passada dão o tom real desta incapacidade. Só para começar a falar em logística, vou associar a teoria da visão sistêmica da logística ao que deveria ocorrer no setor público.

A teoria dos sistemas, criada pelo biólogo Ludwig Von Bertalanfy, aponta a existência de características comuns a todos os sistemas, tais como: um ótimo local não se traduz em ótimo para o sistema (e muito pelo contrário, pode levar o sistema ao caos), um sistema é parte em um sistema maior e se uma parte é afetada, repercute no sistema.

Os atores intervenientes no sistema de segurança de cada um dos poderes, atuam de forma isolada no combate ao crime organizado, por causa da alegada autonomia e além disso também não atuam de forma sistêmica no mesmo poder, senão vejamos.

O poder executivo federal não faz a repressão ao tráfico de armas e não executa combate a lavagem do dinheiro oriundo do tráfico. O poder executivo estadual só atua de forma permanente na ocupação de territórios sob domínio do tráfico de drogas em raros casos e que ainda se traduzem em experimento no Rio de Janeiro. São as chamadas tropas de pacificação. Isto é algo a ser celebrado e também acelerado e ampliado.

O poder legislativo aprova leis que são totalmente contra o bom senso de qualquer pessoa que trabalha com logística e gerenciamento de cadeias de suprimentos. Me refiro a falta de repressão ao usuário de drogas. O usuário já não é mais tratado como criminoso e sim como vítima.

Ora, quem sabe o que é supply chain entende que se existe uma demanda, a cadeia de suprimentos vai se estabelecer para atender esta demanda. No momento em que a demanda for reprimida de forma sistêmica, a cadeia para de funcionar, mas se a demanda é protegida, ela fomenta e fortalece esta cadeia de suprimentos.

Basta uma rápida pesquisa para verificar que em países desenvolvidos a legislação reprime o usuário, pois sabe que o tráfico existe a partir da demanda de consumo final.

Desclassificar pequenos traficantes de crime de tráfico e eximir os usuários de culpabilidade é no mínimo assumir que o tráfico de drogas pode existir desde que seja em pequenas quantidades e que ninguém note o suficiente para cobrar uma ação enérgica das autoridades e legisladores. O estado repassa às famílias a responsabilidade de controle da demanda de consumo.

Os tiroteios são apenas parte visível, que incomoda os governantes e demais atores do sistema de segurança. É impossível continuar desta forma. Ou as autoridades de todos os poderes atuam de forma sistêmica, ou vamos falir como sociedade organizada.

Por outro lado, a logística do tráfico de drogas é eficiente e eficaz, com nível de serviço digno de benchmarking. A atuação da logística é sistêmica e todos estão envolvidos para a proteção do status marginal da cadeia de suprimentos.

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