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ARTIGO | Que país é esse? - 29/07/2019 - 00h00

ARTIGO | Que país é esse?


*Por Alexandre Wollmann, presidente do SENGE

A história da economia brasileira se traduz por ciclos de desenvolvimento seguidos por crise e recessão. Como uma onda senoidal, o PIB encontra-se, mais uma vez, próximo ao fundo do poço, ou seja, muito perto de zero.

Isso é lamentável, na medida em que frustra as expectativas de 14 milhões de desempregados, de outros milhões a serem ainda alcançados pelos escassos programas sociais. É péssimo também para os pequenos, médios e grandes empreendedores, ou seja, é ruim para todos.

Há décadas, nossas faculdades de Engenharia vêm formando profissionais de alta qualificação que, no entanto, são afetados de forma direta pelas sucessivas crises, que fazem minguar as oportunidades de carreira na medida direta da redução da atividade econômica. Surgem as chamadas "gerações perdidas": os engenheiros no comando das minivans nos anos 1990 ou ao volante de um veículo de aplicativo na atualidade têm em comum estarem à mercê da falta de planejamento de Estado.

Críticas também são as mensagens que nos chegam das universidades públicas e privadas. As primeiras, abaladas pelos sucessivos cortes de verbas, pelo desmonte de suas estruturas acadêmicas e administrativas, ou, ainda, pelas ameaças à autonomia universitária. As segundas, às voltas com a evasão galopante e o risco de descontinuidade. Hoje, muitas delas formam mais engenheiros do que recebem novos calouros, numa antevisão do que poderá ocorrer logo ali na frente.

Este cenário é ainda mais aterrador quando pesquisas indicam que o Rio Grande do Sul é cada vez mais um Estado exportador de cérebros e de renda. Não apenas os mais jovens estão partindo em busca de oportunidades em outras regiões ou no Exterior; até mesmo aposentados buscam opções fora daqui, estimulados por uma melhor qualidade de vida.

Afinal, que país é este? Que Rio Grande é este? O legado que deixaremos para as próximas gerações não pode ser obra do acaso. Estado, gestão, política, desenvolvimento e justiça social devem convergir a partir de um planejamento de longo prazo que supere o imediatismo dos governos.

*Publicado originalmente por Zero Hora - 27 e 28/07/2019.