Notícias

ESPECIALISTA DA OMS FALA SOBRE SAÚDE OCUPACIONAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL EM EVENTO NO SENGE

Engenheira civil e higienista ocupacional, Berenice Isabel Ferrari Goelzer foi a palestrante convidada em mais uma edição do Ciclo de Palestras SENGE.

(Texto/Fotos: Morgana de Mattos - MTB 15605)

“Quanto custa ter de lidar com as consequências de algo que poderíamos ter evitado?” A pergunta feita pela engenheira Civil e Higienista Ocupacional, Berenice Isabel Ferrari Goelzer, tem caráter meramente retórico, mas serve de alerta para o que não está explícito quando se trata de saúde ocupacional. Especialmente na Construção Civil, em que acidentes de trabalho costumam ser a principal preocupação de profissionais, a doença ocupacional acaba se tornando “invisível” e, por não ser tão óbvia, não recebe muita atenção. Não significa, porém, que seja menos grave. Como frisou a engenheira durante o Ciclo de Palestras SENGE realizado na noite ddessa segunda (10), na Inglaterra já há estudos evidenciando que é a doença ocupacional (e não os acidentes de trabalho) o principal fator desencadeante de mortes entre trabalhadores da Construção Civil.

O Ciclo de Palestras SENGE é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros para promover o debate de temas ligados à Engenharia e de interesse da sociedade. Conforme destacou na abertura do evento a diretora de Apoio e Qualificação do SENGE, engenheira Nanci Giugno, os eventos do SENGE têm o objetivo de trazer a visão de especialistas sobre assuntos relevantes para os profissionais de engenharia e que acabam, inevitavelmente, impactando no desenvolvimento da sociedade.

Para o evento dessa segunda-feira (10), que atraiu dezenas de profissionais ao Auditório do SENGE, a ministrante da palestra “A importância da Saúde Ocupacional na Indústria da Construção Civil” não poderia ser mais qualificada para abordar o assunto. Como cientista responsável por Higiene Ocupacional em nível internacional na Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra por 25 anos, a engenheira Berenice é Master em Saúde Pública e Higiene Industrial pela Universidade de Michigan, tendo realizado cursos nas universidades de Pitsburgo e na Carolina do Norte, onde trabalhou em projeto de pesquisa, e, entre outras conquistas, foi premiada internacionalmente com o “William P. Yant Award” (Washington, D.C., 1996) e o “Life Achievement Award” da IOHA - Associação Internacional de Higiene Ocupacional (Bergen, Noruega, 2002).

Durante a palestra, a engenheira destacou dados de pesquisas elaborado pelo mundo todo estabelecendo o nexo causal entre trabalho, especialmente o de empregados no setor da construção civil, e o desenvolvimento de doenças. Entre os fatores citados, a exposição a elementos químicos, como amianto, sílica, o pó de alguns tipos de madeira que, descobriu-se, são cancerígenos, fumos de solda, chumbo, e o cromo presente nas luvas de couro que, quando molhadas, liberam a substância na pele.

Para a especialista, a importância de promover ações preventivas mais eficazes nessa área é enorme, uma vez que o custo da não prevenção é muito alto, e as consequências, por vezes, irremediáveis. “Todo o gasto do sistema de saúde para uma doença que é prevenível é um absurdo”, frisou. Citando a tragédia ocorrida em Brumadinho, ressaltou que os problemas gerados se estendem para áreas que vão além da esfera da saúde ocupacional, atingindo a saúde pública, a economia, o meio ambiente, entre outras.

Para Berenice, é importante observar que este é um assunto que está tomando a atenção da Comissão Europeia. O desafio maior, destacou, é que a tecnologia se desenvolve com maior rapidez do que os problemas de saúde. “Veja o caso do amianto, que por muitos anos foi a solução dos nossos problemas”, lembra, reforçando a ideia de que a recomendação é sempre adotar o princípio da precaução sempre que não houver estudos suficientes para se certificar sobre possíveis riscos à saúde.

Imprima esta página